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Crescimento da educação a distância no ensino superior

Fonte da Notícia:  O Tempo (autor: Janes Fidélis Tomelin)

Data da Publicação original:  01/08/2024


Muito se tem falado no crescimento da Educação a Distância (EaD) nos últimos anos. Dados amplamente divulgados mostram que a modalidade cresceu exponencialmente: presente em 3.129 municípios, de acordo com o Censo da Educação Superior de 2022, foram 3 milhões de ingressantes em cursos de graduação EaD no mesmo ano.

Também em 2022, as matrículas da modalidade a distância aumentaram 87%, quando comparadas com 2014. Já em relação ao número de cursos de graduação oferecidos, o salto foi ainda maior: 700% nos últimos dez anos (de 1.148 cursos, em 2012, para 9.186 em 2022).

Chegando aonde nenhuma instituição presencial chega, atualmente o EaD é o responsável pela expansão da educação superior no Brasil profundo, além de ser a principal opção, mesmo em localidades onde há ensino presencial, para aqueles que não conseguem ter acesso às instituições tradicionais devido a barreiras financeiras, sociais, culturais, de acessibilidade e de mobilidade urbana.

Graças à sua recente popularização, muitos pensam que o EaD é um fenômeno pós-internet. Porém, quem assim pensa está enganado.

O EaD capacita os brasileiros desde o final do século XIX, quando os primeiros cursos de datilografia via carta ministrados por professores particulares eram anunciados em jornais da época.

De acordo com Catarina Santos, em sua tese de doutorado sobre a expansão da educação superior, logo no início do século XX, em 1904, foram instaladas no Brasil as chamadas “escolas internacionais”, que eram instituições privadas representando organizações norte-americanas e que ofereciam cursos profissionalizantes por correspondência.

  Em outros lugares do mundo, como os Estados Unidos, a educação a distância é ainda mais antiga: há registro de um curso de taquigrafia anunciado em um jornal de Boston no ano de 1728.

Já em relação ao ensino superior a distância, Michael Moore e Greg Kearsley, em seu livro “Educação a Distância: Uma Visão Integrada”, apontam que a primeira instituição a fazer uso do sistema de correspondência para cursos de graduação data de 1881. Na década de 1930, cerca de 40 universidades norte-americanas ofertavam cursos por meio dos correios.

  E, desde aqueles tempos, a EaD utiliza-se da tecnologia disponível em cada época para ensinar. Os cursos por correspondência se mantiveram ativos por décadas e ganharam importantes aliados com os adventos do rádio e da televisão.

Em 1923, Edgard Roquette-Pinto fundou a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, cuja principal missão era levar programas educativos à população. Na década seguinte, a rádio foi doada ao então Ministério da Educação e Saúde, com a prerrogativa de que os programas educacionais fossem mantidos.

Na década de 1970, o Telecurso, idealizado por Roberto Marinho, utilizava a televisão como instrumento educativo. Por décadas, o programa, depois reformulado como Telecurso 2000, levou educação de primeiro e segundo graus, além de cursos profissionalizantes, a milhões de brasileiros.

Porém, o Brasil seguiu um caminho diferente de outros países, ofertando cursos EaD nas modalidades livre, profissionalizante, técnico, supletivo, de aperfeiçoamento, entre outros, mas sem incorrer em cursos de nível superior.

Essa realidade só se alterou devido à disseminação da internet – em 2022, chegou a 87,2% o percentual da população brasileira que usa a rede mundial de computadores. Com isso, a educação a distância deu um salto e chegou ao ensino superior, proporcionando a milhões de pessoas uma nova oportunidade: a de cursar uma graduação.

E, quanto mais a tecnologia avança, de mais ferramentas os alunos de cursos EaD dispõem para o aprendizado: inteligência artificial, realidades virtual e aumentada, bibliotecas online, laboratórios virtuais e fóruns de discussão, por exemplo, estão entre as tecnologias utilizadas para incrementar a modalidade EaD.

É evidente que ainda existem desafios em relação à educação a distância e muito o que discutir sobre o tema, contudo é inegável que, desde o seu surgimento, o EaD busca democratizar o acesso ao conhecimento, levando-o aos cantos mais longínquos e proporcionando oportunidades reais de inclusão, acessibilidade, interiorização e empregabilidade.

 
 
 

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