Número de universitários chega quase a 10 milhões, e ensino a distância fica perto de superar presencial
- vbconsultoriavb
- 7 de out. de 2024
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Fonte da Notícia: O Globo
Data da Publicação original: 03/10/2024
Publicado Originalmente em: https://oglobo.globo.com/brasil/educacao/noticia/2024/10/03/numero-de-estudantes-no-ensino-superior-tem-maior-crescimento-em-nove-anos-e-chega-quase-a-10-milhoes.ghtml
Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo
O número de estudantes matriculados em cursos de ensino superior chegou a 9,9 milhões em 2023, crescimento de 5,6% na comparação com o ano anterior, informou o Ministério da Educação nesta quinta-feira. O incremento foi o maior registrado em nove anos.
Os dados do Censo da Educação Superior mostram 9.976.782 matrículas em cursos de graduação, sejam eles presenciais ou a distância. O número de alunos de cursos a distância vêm se aproximando a cada ano: são 4.913.281 matrículas, o que significa 49% do total — a diferença entre as duas modalidades é de 150.220 matrículas.
De acordo com o diretor de Estatísticas Educacionais do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Carlos Moreno Sampaio, é provável que a tendência seja mantida em 2024 e o número de estudantes de cursos à distância seja maior que os cursos presenciais já em 2024. O formato ganhou impulso especialmente após a pandemia de Covid-19.
As instituições privadas concentraram a maioria dos matriculados: 79,3%, um crescimento de 7,3%, no mesmo período. Já as instituições públicas registraram 20,7%, uma queda de 0,4% na comparação com o ano anterior.
A pesquisa mostra ainda que 51% dos alunos cotistas concluíram o curso, enquanto o índice entre os não cotistas foi de 41%.
O Censo da Educação Superior é feito anualmente pelo Inep e considera instituições públicas e privadas.
Preocupação com a qualidade do ensino a distância
Durante a apresentação dos dados, a secretária de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres), Marta Abramo, destacou que, desde o ano passado, o MEC estuda formas de alterar a avaliação dos cursos EAD (de ensino a distância).
Segundo ela, "em breve", a pasta terá um documento para apresentar novas "diretrizes e instrumentos" para aferir a qualidade do ensino prestado nesta modalidade.
— A gente associa esse crescimento a uma alteração nas normas regulatórias que aconteceram (a partir de 2017), associada, inclusive, a uma alteração nos instrumentos de avaliação. Isso deu uma flexibilidade de regras que permitiu essa expansão quase que automática, com a expansão de polos, e a criação de novos cursos. (Esses cursos) não foram, na nossa visão, acompanhados de instrumentos adequados à modalidade, que permitissem que a gente fizesse esse filtro da qualidade com precisão, de uma forma adequada — afirmou Abramo.
O secretário executivo do Ministério da Educação, Leonardo Barchini, também disse que está finalizando estudos para a criação de um instituto focado apenas na qualidade da educação. Esse planejamento interno está em "fase final". A ideia é entregar um projeto de lei ao Congresso.
— O MEC está preocupado não só com a qualidade dos cursos a distância, como os presenciais. A nossa regulação faz com que a gente tenha um olhar muito específico sobre a qualidade dos cursos, naquilo que está ofertado. Tivemos várias ações neste ano e no ano passado para tentar conter o aumento do número de vagas desenfreadas e sem qualidade da EAD, especialmente nas licenciaturas. Mas, no geral, é um sistema de avaliação que funciona há 20 anos. Naturalmente, há revisões a fazer.
Pé-de-Meia universitário
Em entrevista ao GLOBO no início da semana, o ministro da Educação, Camilo Santana, afirmou que o MEC pretende lançar em 2025 o Pé-de-Meia universitário para dar apoio financeiro aos estudantes do ensino superior de baixa renda.
— Estamos começando a construir um Pé-de-Meia para o estudante universitário, uma proposta para ser discutida com o presidente. Ele já está empolgado. Nós podemos identificar onde é que estão os gargalos, as dificuldades para garantir que esse aluno possa realizar o seu sonho de ir para a universidade — disse o ministro.





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